quinta-feira, 15 de setembro de 2016

footing à beira mar de olinda ou bronhas das duas uma

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desde os tempos em que minha barriga de garoto de campo grande conheceu farpas tetânicas de uma prancha feita à mão, com madeira de caixotes, para surfar em del chifre, que afastei-me da orla de olinda. exceção feita a algumas investidas em casa caiada. no trecho em frente ao antigo quartel da PE. tempos em que o pedaço rivalizava com boa viagem nas parcas possibilidades de um garoto, que vinha à pé dos bailes do américa em casa amarela, para acordar na areia com cheiro de montilla e cara de pirata, conseguir botar as mãos nas adolescentes de classe média – sim nos 70´s havia classe média – tempo em que as gostosinhas eram mesmo gostosinhas: não tinham celulites, estrias e muito menos lábios botocudos e para-choques de silicone. quando nada, conseguíamos o famoso material para o dever de casa: em mãos de cerol, punhetas azuis-marinhas, orgasmo de gaivotas.

dizem que quando começamos a escrever assim é o mais puro sinal de que estamos ficando velhos. pode ser, pode ser. mas, sinal dos tempos, se elas continuam olhando – e não você - é porque o tio sukita ainda é ou tem chances de mordiscar alguma tampa de crush. que me desculpem os não-pernambucanos que vão ficar voando com mais esta.

mas o footing em pauta é outro, que certamente as minhas masturbações juvenis não interessam a ninguém. pelo menos por este jorro de agora.

nos útimos, vinte e cinco, trinta anos, como de resto, o recife, e seus bairros, a orla de olinda, trecho recém saido do carmo a casa caiada conheceu a mais fétida decadência. a ponto de nem os ratos que frequentavam a orla repleta de bares – o mar ainda não havia avançado a tal ponto – terem partido para outra locação.

a prefeita luciana, pecebona quase sorriso mara maravilha, privilegiou a orla com um misto dum projeto de recuperação/implementação de nova arquitetura que busca recuperar a área para os olindenses e não só. apesar das marcas de deterioração irrecuperáveis nas residências e pequenos edifícios que já foram varandas privilegiadas.

acontece que a oposição do mar a prefeita – sera porque ela é do PCB ? não faz só espuma e ameaça, aliás, ameaça não, já coloca por terra trechos e trechos da obra que sequer pode ser inaugurada. o mar já derrubou pedaços diversos dos bancos murada que formam um senta-cadeiras ininterrupto, contíguo a orla em toda a sua extensão, acompanhado de quase oásis de mini-jardins com bancos próprios e aqui e ali aparelhos rústicos de ginástica, somados a alguns boxes e talvez wcs públicos.

coisas da política de qualquer partido no brasil, em que pese a simpatia pelos cachinhos ideológicos da prefeita, ao que tudo indica projeto feito nas coxas de sereia. não prever que mesmo antes de ficar pronto as marés fariam estragos que a lua cheia corroboraria como impraticáveis às boas intenções, é rasgar a certidão de olidense. isso sem falar na maluquice de escadas de madeira que permitem acesso à beira mar, com madeiramento de terceira – certificados pelo ibama ? – que as ondas já trataram de desfolhar, arrancar degraus, enquanto o mar já afogou quase metade delas. porém, sem exterminá-las por completo. transformando-as em armadilhas vietcongs, determinantes para acidentes que podem complicar a vida de crianças e adultos muito mais que as farpas de um prancha de caixote de madeira. sem falar dos trechos fofados de calçada que podem ruir a qualquer momento engolfando papai,mamãe,titio,filhinho com velocípede e empregada – ainda ? – junto com poodle da família.

e já se passa um par de anos de mar derruba, operários levantam, refazendo pela segunda, terceira vez, o que o mar vai derrubar de novo. quero acreditar que minimamente teria sido feito um estudo que por mais primário que fosse anteciparia o que na prática está custando uma verba que não terá folego para fazer frente aos avanços do mar. e olha que nem tivemos ressaca pra valer ainda. foi feito ? e ? não foi feito? uou!

nem vou falar do estado dos buracos da rua dita avenida que lhe acompanha.

estaria a prefeita punhetando a orla, numa quase cópula de obra de fachada, com fins eleiçoeiros? que pelos vistos só vai dar calos na mão, num gozo d água arrombando pedra que não se faz dura? e que findará por deixar a beira-mar ainda mais à deriva ?

pelo visto, não fui só eu que me aproveitei de olinda para isto.
acontece que “pruma” prefeita, o dever de casa é outro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com e também no já extinto dulcora.blogspot.com em 05/11/2006)

mayor zen ou summer breeze ?

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propaga-se de que o prefeito da cidade do recife, joão paulo, é um ser adepto da meditação, contrapondo-se isto, e de certa forma, até com preconceito, as suas humildes origens, filho de cobrador de ônibus que é. profissão, aliás, em extinção. seja pela obsolescência programada seja pela força da bala dos assaltos, tão diuturnamente impiedosos, quanto salário que ganham. novas catracas já os moem de véspera.sem fugir da mira, só mesmo um prefeito zen pode aguentar rios de merda cruzando a cidade, destacando canal da agamenon magalhães, donde hoje nem moleques atrevidos se atrevem a mergulhar. ou, canal que corta piedade, boa viagem, cujo nome me escapa agora. como escapam a bosta que lhes deságua. oriunda de cus de luxo que habitam edifícios e condomínios classe a. que, provas cagadas, são uma verdadeira bosta. e, guentando fedor disto, fazer alarde publicitário da sua administração donde falta muito papel higiênico. o cheiro proveniente dos canais fazem os de veneza – recife não é a veneza brasileira? vista de cima, de cima – parecerem jorros de chanel 5, a céu aberto.maré baixa, maré alta, a bosta oscila num vai e vem que junta-se a das cloacas das favelas que ficam acima abaixo, promovendo ao que parece a única miscigenação democrática entre a elite derrocada – mas que o espírito de casa grande e senzala recusa-se a comportamentalizar – e a ralé que literalmente arca com o peso da monocultura da merda que lhes foi enfiada goela abaixo pela descendência da hereditária capitania do leão do norte.fede, prefeito. fede. maleita que nem a propaganda, que também fede, consegue sequer disfarçar. não falando das doenças, que não podem ser curadas pela mudança de foco, como se vivéssemos numa cidade de cartões postais.tampouco a meditação, que dizem, eleva o espírito humano a ausência de tudo, até das merdas da vida, dura que é ser praticada, ainda mais quando a bosta ferve ao calor do verão recifilis.se da lama, nasce o lótus, dos canais de recife, pensados pelos holandeses para outras práticas? borbulha o escárnio que gargalha mais fruto da prática contemplativa do que pelo sorriso do edil que nos sorri de leve? como se de monges fosse ? alguém esqueceu-se de dizer para o apóstolo da meditação joão paulo que meditar, é, antes de tudo, mais do que agir e reagir, ato de interagir, senão com os músculos, com o cérebro e, se com o espírito, nunca o de porco.cuidar das pessoas não é cultivar o imobilismo contemplativo ante o wahala desfiado em bosta, pela força da meditação? elefante visto como formiga .a população vaisesica, ou não, gostaria de ver o prefeito meditando a beira dos canais. respirando fundo, como convém aos pranas.rala, a consistência dos argumentos da melhoria da qualidade de vida no recife, já anda na boca do povo, das margens e dos opostos, a procura de outros canais de resolução que não coabitem com seu meio. para eles, o incenso da meditação é outro, que em nada lembra jasmim. mayor zen ou summer breeze ?

(originalmente publicado no já extinto dulcora.blogspot.com em 05/10/2006)

na contra-mão da cultura ou a não sinalização dela

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não confundir política cultural com calendário de eventos(mário chamie)

olinda, tornou-se a primeira capital brasileira da cultura em mais um daqueles eventos-títulos para gerar proxenetas e negociatas, para desespero dos de plantão.

acontece, só pra começar, que olinda, não é só o sítio histórico. é cidade de analfabetos funcionais, letrados apenas nos letreiros de transporte público, e já lá pela hora da morte. destino incerto que faz circular aos subúrbios e áreas perifericas onde tem como vizinhos, o assalto, o estupro, o latrocínio, o assassinato, a chacina, a queima de arquivo e o iptu que não lhes tira da lama inverno após inverno. quem duvidar deve fazer um tourzinho cultural já a partir dos bultrins, via jardim brasil, rio doce e suas etapas, e mais uma dezena de bairros que não estão no mapa cultural da cidade, que lá já fui e hoje ir lá não me atrevo por falta de autorização.

se a cultura passa a ser sinalizada como um dos avanços da administração da “nova olinda”, capitaneada pela prefeita quase clone da patrícia frança, versao rede TV, deve entender minimamente que a cultura emite sinais. sinais que são símbolos culturais por conotação e denotação. sinais diversos, dos mais simples aos mais complexos, para além da cultuação demagógica dos enredos e manifestações populares. sinais, entre eles, os de trânsito.

quem transita por olinda, e estamos falando do centro histórico, para não dizerem que estou fazendo as vezes de vereador da oposição que não larga o ossos dos bairros esquecidos, não sabe se está na mão ou na contra-mão da cultura. tendo como bedéis dela, uma guarda municipal que usa o apito como palmatória.

arte em toda parte, um flash-back

novembro, sábado, vamos a olinda dar um passeio, aproveitando o pretexto do arte em toda parte para ver se descobrimos alguma coisa que não seja cópia da cópia, grosso do trabalho da maioria dos artistas de plástico que se fixaram em olinda, com raras e grisalhas exceções.

subo a rua da boa hora, e dirijo-me a rua do amparo via 13 de maio. no que fazem o mesmo casal de policiais montados em suas motos. casal mesmo. policial homem e uma policial mulher, certamente casados em suas funções. quando chego a prudente de morais, escuto apito que não é de bloco ou troça, muito embora conclua que o guarda municipal está fazendo realmente troça de mim ao, com seu ar, de pouca cultura, evidentemente, e bons modos, apontar-me o dedão e estocar: — está trafegando na contra-mão, no que imediatamente contesto, sem achar necessário o depoimento – será que estaria sendo otimista demais? dos policiais que fizeram o mesmo trajeto – e não estando em perseguição, portanto também infratores ? – de que não existe uma placa sequer sinalizando a tal contra-mão, nem na rua da boa hora, tampouco na 13 de maio, em direção a rua do amparo. aliás, estando-se na 13 de maio, exatamente na bifurcação para a prudente de morais, há uma placa inelegível funcionalmente, aos penduricalhos por um fio, que indica a contra-mão para a prudente de morais para para quem vindo da 13 de maio. suprasumo da cultura ? aviso de contra mão a direita para quem já está na contra-mão ? ah! tá bom. fica combinado assim.

a autoridade, da capital da cultura brasileira, não contesta meu argumento. tampouco convida-me a fazer o percurso, no minímo atitude de quem necessita corroborar afirmação se não sabia do fato(se não quis ir devo concluir que já sabia que não havia sinalização) mas prefere o recurso típico de meganha: — dê meia volta(só faltou o cabra)e volte por onde veio. isso estando eu já após a prudente de morais. portanto, já na rua do amparo. é claro, que ele disse isso com aquele ar de abusado, ainda mais quando contestei que não posso, sequer ser admoestado – informado sim – por estar na contra-mão, já que não existe sinalização nenhuma.

qual o quê, o guarda muncipal, ficou enfezado e fez valer a cultura da autoridade que relutantemente acabei por aceitar porque o sangue já subia-me para regiões muito pouco culturais.

fevereiro, porque devia ter posto uma placa na testa do tal guardinha municipal

ontem dia 3, propositadamente, fiz o trajeto novamente, ampliando a varredura: rua da boa hora, sua sete de setembro, ladeira da boa hora, 13 de maio. continuam sem sinalização de que o sentido é ? quem vai dizer que sim ou que não se não tem placas ? contra-mão.

parte-se do princípio que: num ano em que a cidade deve receber mais turistas ou pelo menos estarão eles sensibilizados para ver, ouvir e perceber sinais do porque olinda foi escolhida para ser capital da cultura, ao menos este sinal deveria ser dado já que, tenho certeza, não só eu fiz o trajeto como pude constatar diversas vezes.

se transitarem pela rua 13 de maio no sentido amparo e encontrarem o tal ou outros tais guardas municipais iguais aquele, vão aprender que olinda é uma cidade tão culta que não precisa de sinalização para que ser perceba o sentido das coisas e das ruas?

seria este o sinal maior da cultura da cidade? a sintese dialética do não sinal para o sinal com o sinal da autoridade vermelho, por sinal ?

com a palavra a pcebeniana chefa-mór da guarda municipal.

p.s. andando também na contra-mão ?

in tempo: estou pensando seriamente em fantasiar-me de guarda muncipal da primeira capital da cultura brasileira(mas não no carnaval, que carnaval é coisa séria) fantasia que é para o ano inteiro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com em 05 de fevereiro de 2006 e no já extinto dulcora.blogspot.com em 21/10/2006)

celulares não foram feitos para serem piolhos de cu


o paraibano celso furtado, enfim um ministro da economia que não furtava ninguém, nem a sí próprio, de dizer o que era realmente necessário, afirmou certa vez que o brasileiro tenta compensar o complexo de sub tentando ou querendo ser super - já viu? por exemplo, os aumentativos nos nomes dos nossos estádios? no nordeste então é uma graça. e na sua paraíba? que ainda tem aquela excrescência de ginásio chamada de ronaldão, contígua ao almeidão? porca miséria! é mesmo muito ão pra pouco chão de uma paraiba(joão pessoa)que pelo preço dos imóveis clava a parescensa com florianópolis, mas lugar de cancão onde governantes cujos se auto-classificaram gigantes através destes aumentativos ginasiais desqualificados.

pois bem, a nossa superlatividade está anunciada hoje no numero de celulares no país(o celular é o esmegma do nosso subdesenvolvimento). são mais de duzentos e vinte e mais alguma coisa de milhões, ou quase. portanto, há mais celulares do que brasileiros. e se a coisa vai do jeito que desanda, vão ser mais celulares chineses do que brasileiros. e aí o esmegma, que já toca da geral a cobertura vai melar de vez a boca, os ouvidos, os olhos e os cus dos brasileiros. afinal, a maioria carrega o celular no bolso de trás, uma espécie de fetiche para os meninos e meninas. ou seja: o celular substituiu a "coca-cola" nas braguilhas masculinas e nos cozes femininos. se a radiação os faz brocha é outro viral.

deixando o esmega de lado, ou melhor ficando ao lado dele, passemos ao tópico de hoje. alardeamos então o número, a quantidade(qualidade não há em porra nenhuma, seja aparelho, serviço, conexão e o caralho a quatro) o que configuraria a nossa entrada no mundo digital da telefonia móvel, onde o 4G, por exemplo, na internet, dá saudades da net discada.

mas isso ainda não é o cerne da questão. a questão é: se há mais celulares do que brasileiros, a ejaculação precoce da nossa digitalidade não é suficiente para que o cidadão brasileiro, por exemplo, seja atendido nos 0800, caso não disponha de um fixo. seja nas concessionárias de água, luz, ou secretárias da fazenda, para não descer o caudatório sem fim das siglas que compôem a burocracia democrata no brasil, que por isso mesmo é restritiva em quase tudo que se vê ou ouve, melhor dizendo, fala, tornando-se portanto um problema da fala que não tem recurso só discurso de mal ouvidos.

se acaso o portentado possuidor de celular, seja pré ou pós, vai preencher um formulário de crédito em uma loja - até mesmo se contratar um serviço de 4G, por exemplo - vão lhe pedir um número de fixo, o que não deixa de ser uma estocada no piloro da nossa vã idade digital( o sujeito tem um celular da claro, por exemplo mas é pedido um fixo, pois celular não vale. bom, muito bom isso, vai ser conectado assim na casa do cacete, não é mesmo?).

se necessita, por exemplo saber porque está faltando água na sua rua ou bairro, e ligar de um celular, fodeu! aquela voz de tia no cio vai lhe dizer que o serviço só está disponível para números fixos ou coisa que o valha.  

então de que vale termos duzentos e cacetada de milhões de celulares? se eles só servem para você metê-los no cu? tá bom, tá bom, vou manerar os "maneirismos", no bolso da calça de trás, e não cumprem a função de prover comunicação móvel para cima, para baixo e para os lados, num mundo digital onde a pressa, a imediaticidade de perguntas e respostas é quase tão necessária quanto o ar que se respira? eis outra piada de mal-assombro que as teles fazem conosco, e que é cobrada, tantas como as outras de baixa qualidade que são oferecidas.( aliás se o rafinha é processado por piadas de "mau gosto", porque as teles não?) 

é de se imaginar então que o ministério das telecomunicações comunga com esta operação de compra casada, sim. afinal, se você tem um celular e precisa de um fixo para isso e para aquilo(inclusive para a internet) serviço que pode ser feito pelo celular, e está sendo obrigado a comprar dois serviços, quando na verdade não precisa de um deles, pois ainda por cima a minutagem para fixo vem de brinde nos celulares(será por isso?) numa quantidade tal que deixa qualquer maroca papudaça mui preocupada em arranjar assunto para gastar tantos minutos à borla.




já os serviços de internet deveriam se chamar de serviços de telefonia fixa vip(very important pato). afinal, eu quero comprar internet e não uma linha fixa com um pacote de 11 mil minutos para falar o que? com quem? se eu tenho celular e facebook,twitter, e tudo o mais que me é anunciado como upa-upa! cavalinho da internet? como é que eu vou ser digital com um peso analogico destes? se para ter internet tenho de ter um fixo. só mesmo em país subdesenvolvido metido a super(nos preços cobrados).

15 minutos de fama ou em toda fila tem um fila da puta


fila de banco, fila de supermercado, fila de loteria, fila dos correios, fila do ingresso, fila da fila da fila da fila fila. fila de caixa rápido( uai? mas num é rápido?)

mas a questão aparente não é esta. a fila em princípio e a estratificação horizontalizada da falsa democracia social. quem chega primeiro leva ou farinha pouca meu pirão primeiro. antes fosse, se já não houvessem os fileiros por profissão já já quase regulamentada.

toda fila é uma furada ou melhor, nasceu para ser furada. quer por conveniências quer por, digamos, deficiências de base. e o que é pior, a fila, que era uma instituição que de tão amarga era grátis, agora tornou-se paga. e é mesmo o caso de dizer que quando você está numa fila, literalmente você está fudido e mal pago.

vem a fila para consecução dos seus direitos e aí começa a dar pro torto. primeiro que a fila, a exceção de alguns lugares como bancos particulares estabelecimentos dentro dos shoppings e supermercados, é sempre num lugar escabroso, principalmente para idosos e crianças, sem falar nas filas do banco do brasil e caixa econômica, sempre até as calçadas. na rua, no sol e chuva e ao deus dará, só perde pra fila de inss, quem tem os cambistas mais cruéis de todas as torcidas atuando como fileiros da desgraça alheia.

não bastasse a crueldade e o pisoteado na cidadania de uma fila só, inventaram a fila das filas para fomentar a idéia de sociedade dos bons modos e do politicamente correto. ai surgem as filas das filas. fila das grávidas, dos idosos, dos portadores de deficiência – a deficiência econômica não conta, esta está sempre no fim da fila – que por sua vez fomentam outro tipo de fila, a dos filas das putas que ora atravessam estas filas, ora aproveitam-se destas, para conduzir a fila de volta ao começo.

nas filas mais simples o fila da puta está lá. na loteria ele é aquele que arranca o pai ou avo de casa para fazê-lo de viaduto de fila. agora tem mais isso, como se não bastasse aquelas sirigaitas ou gaiatos metidos a espertos que de última hora chegam com contas do semestre inteiro e entregam para aquele desmilinguido de caráter que sempre está a sua frente. e ainda fazem charme e chacota dos otários que estão na fila a tudo assistindo calados.

antes de entrar no capitulo o fila da fila, que é aquele tipo com cara de cão, que revolta-se contra tudo e contra todos, conclamando a uma tomada de ação para acabar com a violação da fila, normalmente já bastante alterado, ultrapassando os limites da fila em sí, cabe colocar os diversos filas da puta nas diversas vilas que existem por aí.

por exemplo, na fila do supermercado, a fila para pequenas compras, limite de dez unidades, diz a inútil plaqueta de aviso, porque tem sempre um ou mais carrinhos abarrotados por lá. confrontados com com os donos dos carros cheios os empregados sequer ousam apontar a plaqueta. aceitam até uma jamanta se lhes vier.

o mesmo se dá na fila para gestantes, idosos e portadores de deficiências especais. raramente se vê nelas mulheres grávidas, anciâos . mas o fila da puta portado da deficiência especial da paciência e do respeito aos outros já postou-se no caminho seja com o carrinho ou com o tubo de pasta de dentes e a nota de 50 para completar a falta de troco, com a desculpa que deixou o carro na faixa amarela e que não pode ser multado por isso e que se for vai processar o estabelecimento. é assaz costumeiro ele fazer isso esteja o caixa vazio ou ocupado por quem de direito.

direito? bem diz a lei que você não pode passar mais de 15 minutos na fila, eivada das exceções. o tempo da fama e da glória para alguns. mas a lei é torta. se você passa mais de 15 minutos no atendimento eletrônico, no atendimento telefônico – sim porque há fila também até por telefone, é mole ou quer mais filas? – você realmente acredita que vai passar menos do que isso na fila do banco?(uma das boas razões para a greve dos bancários, mais funcionários, dizem eles, menos filas) bom, o fila da puta não acredita. por isso, ele tem os mais variados expedientes para furar a fila sob as bençãos do caixa. a começar da modalidade óleo de peroba, que é aquela normalmente usada por mulheres gostosas(ou que pensam que são) que chegam e dizem que estavam na fila e só saíram para pedir uma informação ou qualquer outra coisa inverossímil. normalmente, principalmente a depender do tamanho da bunda, cola. cola também quando é homem bonito ou forte pedindo a mulher. aí há protestos. mas como o fila da puta é forte, fica por isso mesmo. a não ser que o fila com cara de cão esteja na fila. aí a coisa normalmente engrossa. neste capitulo também existem vaga na fila dos fila das putas para os tipos mais diversos. os tipos variados que vão desde o se liga maluco, aos fila de doido é mais adiante e por aí vai. mas o pior de tudo nesta situações é que nesta horas a polícia não entra na fila pra fazer justiça e manter o respeito a lei.

dando o troco ou na exata medida do amor pela minha mãe e pelo meu cu

quantas e inúmeras vezes você já foi garfado em um ou dois, três centavos? dezenas. centenas. milhares de vezes? agora multiplique isto por milhões, além de você. o resultado, eu troco pelo meu salário, que apesar de já não ser o que era, ainda é salário de publicitário, e isso ainda fazendo doações de carteirinha. de puteiros a instituições de apoio a miséria alheia, para chegar a um líquido pra lá de sólido.

dizem que a culpa é do banco central. da falta de moedinhas ou da falta de brasilidade? e ai eu me lembro de um dos filmes do super-homem
(o que caiu do cavalo) onde o homem do humor ácido, richard pryor - aquele que de tão viciado em cocaína, ateou-se fogo, hoje já falecido - fazia um personagem tido como simplório. de emprego invisível num banco. e que desenvolveu um programinha que arredondava as frações, desviando os centavos para sua conta, tornando-se ele um bilhardário do crime, que acabou comprando bancos, inclusive o que ele onde trabalhava.

nós brasileiros, odiamos as moedinhas, cuja serventia até hoje é gerar pragas até a décima geração, quando são recebidas pelos pedintes em geral. e olhe que estes também contumazes contabilistas do de grão em grão, o que lhes dá um faturamento nunca menor que dois três salários mínimos. experimente dar-lhes umas moedinhas de um centavo se você não tem amor a sua mãe e ao seu cu.

as empresas em geral, são ainda mais matreiras. tudo é a 0,99. (só nos camelôs que é a um real. )3,99. 2,99. 6.99. nada é exato (para você). experimente também, se você não tem amor a sua mãe e ao seu cu, empacar a fila para exigir seu centavo de troco. no brasil, perde-se a cidadania por centavos também. e não só pelas grandes somas de maracutaias federais, o que nos leva a conclusão de que além da importância contabilística, se uma moeda não é nada, milhões de moedas são milhões, há a questão simbólica, mais absolutamente real e concreta do respeito a cidadania que não há: sé é 1,99, não é dois(porque não colocam então logo que é 2? não imagina o porquê ?) e que portanto não lhe darem sequer uma satisfação sobre a falta de troco, ou a balinha, isso quando a balinha custava centavos, significa muito mais, isso se não fossemos um povo que despreza as moedinhas, porque moedinha é coisa de pobre. de fodido. e é mesmo, estão nos fodendo de verde e amarelo a cada moedinha, perdoem-me a redundância, moedinha que é o preço do afeto ou desafeto que você tem pelo amor de sua mãe ou seu cu, que a julgar pelos fatos, não vale uma.

mas eu agora já decidi. chega de ser sacaneado sem cuspe. vou dar o troco. 1,99. então tome 1,98. vai encarar? e com isso, certamente não serei um milionário até o final do mês. mas no fim do ano, com certeza, vou me sentir menos fudido. isso se não me fuderem a fuça, com as ameaças que vou levar pela frente, certamente, o que pode me levar para sarjeta onde também recusarei a tal moedinha praguejando-lhe o valor do preço do afeto que você tem pelo amor de sua mãe ou do seu cu.

mas, se lhes serve de consolo, antes pela frente, do que pelas costas. a tal moedinha faz um estrago sem tamanho no piloro, ou melhor, nos pilares da nossa nacionalidade.

originalmente publicado em 13/08/2006, no já extinto elixirparegorico.blogspot.com)

vacinando-me contra o que não vacina


tenho quinze cachorros. antes que pense que um sou um louco não vacinado, digo-lhes que a eles vacino religiosamente.
procuro dar-lhes o melhor que posso, dentro daquilo que o dinheiro pode conseguir para protegê-los de virus, bactérias, e tranmissões de outras hediondices, até humanas, que o amor não afasta. e assim sendo, procuro, das melhores, as vacinas.

dizem os profissionais, do atendimento médico-veterinário, e das vendas, que as vacinas que realmente vacinam são as importadas. argumento das nacionais, e escuto o abanar de cabeças condenatório. imunes a qualquer argumento de que as mesmas vacinam alguma coisa e não sei se faro canino já impregnado, algo olha este aí armado em amante dos cães e querendo dar-lhes uma vacina que não imuniza nem o bolso, já que em alguns pontos de venda, saem por 3.75 reais, enquanto noutros, pela minha cara, ou seria pelo meu rabo? saltam para o patamar dos 10 reais, quando não a baba dos 14 reais. antes que você coloque o rabo entre as pernas se eu falar-lhe do preço das importadas, algumas chegam a 40 ou mais, faça as contas multiplicando nacionalmente por 15.

sei que muitos irão falar: quem manda disperdiçar dinheiro com esta vira-latada toda? tanta gente passando fome e o sujeitinho ai fazendo contas a prestação de 15 vezes não sei das quantas, mais do que suficiente para a compra de cestas básicas, estas piores, porque dois critérios de preços entre o nacional péssimo e o nacional menos pior, para bocas também não vacinadas contra a demagogia que serve algo pior que ração da pior qualidade para cães. e olhe que é servido por aqueles que se dizem amantes dos homens, quer dizer dos pobres. pobres deles, pobres dos cães.

e assim, ponho-me a pensar: que será dos cachorros alfinetados a torto e a direito nestas campanhas de vacinação, cujas vacinas, sabe-se lá em que condição de armazenamento, digamos, nacionais? se as tais nacionais, dizem os vendedores e veterinários, nacionais, se bem que na categora até encontremos alguns importados, dizem que não server?

servirão eles? e servirá, para os cães, e neste caso nós, um governo de um país que através de suas entidades de controle epidêmico, ditas de higiene ambiental, de saúde animal, permitem, estimulam, se não uma coisa outra? — ou a verdade de que não servem ou a mentira comercial pensada para estimular a diferenciação que justifique o preço animal de algo que está ligado intrinsecamente ao nosso bem estar e a saúde da população?

estou disposto a pagar bem mais do que quarenta reais por uma vacina que nos imunize contra este tipo de autoridade infectada. o problema é que tem de ser uma vacina nacional. e nacional, dizem, vocês já sabem, não presta.

neste caso, ainda é melhor a doença, do que a solução importada, acredito, a espera de que se desenvolva tenazmente algum tipo de auto-imunização a esta pandemia.

meus cachorros, porém, tem muitas dúvidas de que isso aconteça alguma vez. eles já foram vacinados por ambas e continuam em estado de risco.

quanto a mim, pensando bem, posso dizer o mesmo.

(originalmente publicado no bompracachorro.blogspot.com há muitos muitos latidos atrás)

no makro ou no atacadão

diz o código penal ou séria código civil, constituição, regulamento da piscina ? que toda pessoa é inocente até prova em contrário. se bem que isso não importa muito em terras brasilis. até porque ninguém respeita nenhum deles: a começar de quem o devia fazer cumprir. código de consumidor então, nem pensar.

como as normas, leis, parágragos tem no lombo o carrapato da interpretação, a coisa funciona mais ou menos assim: pobre, e preto ou sarará ? culpado! até prova em contrário. não sem antes cobrir o cidadão de porrada. já os de posses, habeas corpus tem o alcance do tamanho da banca, alínea sob os protestos do maluf and son.

impingidamente, para o makro e o atacadão, estruturas de distribuição originalmente pensadas para vender, em grosso, aos varejistas, todo cliente é ladrão. pelo menos os homens, que tiverem a infeliz idéia de adentrar o ambiente portando bolsas de porte maior ou mochilas e até famigeradas maletas 007, que esta coisa de mochila ser up to date das pastas de executivo, que nelas agora carregam seus lap-tops, é algo que só aconteceu na coluna da joyce pascovitch na virada do século.

pois bem: todo faceiro lá vou eu com minha mochilinha, da company ainda, demodê ? e meu i-bookzinho suado do tempo que publicitário ainda recebia salário que assim o permitia, atrás de uns – eu disse uns e não umas – periquitas a preço mais em conta. que o computador anda por volta dos nove mil reais a depender da configuração, o que me faz protegê-lo apertando a mochila ao peito(não vá você achar que sou mané para andar com mochila às costas, carregando valores) muito mais do que a menina do primeiro sutiã apertava os peitos com seu caderno tão vazio quanto o sutiã dela, ainda.

na entrada do makro sou recebido germanicamente, embora a bandeira seja holandesa — com mochila não pode! tire a mochila e coloque no armário, ali!

no makro ainda deu tempo de argumentar: que a mochila continha diversos pertences, incluindo os indispensáveis óculos, carteira com seus cartões, etc, que não iam ficar bem à mão, sem falar do computador. e que os guarda-objetos não ofereciam segurança, também eles, principalmente por que em caso de roubo ou sinistro dava minha cara a bofete se fosse indenizado, argumento que amoleceu por segundos a carantonha que me scaneava, scaneava ou sacaneava? de cima a baixo.

além de tudo, arrematei: diversas senhoras e senhoritas estavam no salão com bolsas que não poderia chamar de bocetas, já que de tamanho igual ou maiores que a minha murcha mochilinha. mesmo contendo o i-book. que como quase toda gente sabe tem menos de 15 centímetros( mas a performance, ah! a performance, de matar de inveja muito pecezão, digo como se estivesse fumando um cigarro depois, nostalgicamente noir, já que abandonei o castigo há mais de duas décadas e, como todo ex-fumante, tornei-me insuportável)

assim baforado, continuo e digo-lhes que passei. sim pela senhora que controla a roleta, com a admoestação de que poderia ser revistado a saída. saída onde um sistema de confererência, contraria as normas internacionais de segurança pois obstrui as portas, o que para acontecer basta o encontro de dois carros de compra. fiquem a imaginar aquilo no fim do mês. nisto e noutras coisas, makro e atacadão são iguais, para além do desrespeito à pessoa e ao cliente.

mas no atacadão a coisa foi pior. a vigia, segurança, madrasta, como é que poderíamos chamar mesmo aquilo que postava-se ao lado de um balcão na entrada ? tinha a physique du role de segurança de ponto de drogas. e o mau humor de quem de tpm teve de fazer sarapatéu de madrugada para o cunhado.

a três metros de distância já tava recebendo o ei! mocinho - o que já me deixou chateado, afinal são 51 anos ralando para adquirir aparência senhorial e já vou levando dedada assim – pode ir logo botando sua mochila no armário que com ela você não entra, nem pense, aja ou avance. alí uó !

ripostei direto por sobre os ombros que logo atrás de mim vinham mulheres com bolsas que mais pareciam sacolas de quermesse e que não lhes seria vedada a entrada, o que de nada adiantou, uma vez que a responsavél pela recepção aos clientes já reproduzia a análise vetorial dos meus trajes sentindo-se completamente a vontade para dar-me lições de autoridade pisando nos meus calos de sandálias havaianas, e nem eram dupé, pôxa!, o que leva-me pressupor que estivesse com um leiaute um pouco mais mauricinho e a recepção seria outra.

de imediato o acontecido me fez pensar em como funcionários sem maior informação,e por conseguinte, preparo são colocados na entrada emocional de uma superfície que vai me sacar uns bons trocados. estivesse eu com outra roupagem e haveria diálogo? não sei. também não chamei a gerência, como seria de se esperar, porque a esta altura o sangue me ferveu, até porque não utilizando o mau expediente do sabe quem eu sou, mesmo não sendo porra nenhuma, como a maioria que diz isso, levei eu com coisa parecida da figura de uniforme marrom que para além de irredutível, me estocava com o era só o que me faltava esse espertinho querer entrar aqui de mochila.

fatalmente, ia soltar os cachorros. e como animais não entram também no makro ou atacadão, o que é possível, no shopping das amoreiras, por exemplo, dei meia volta e consumidor revoltado fui roer unhas num supermercado de periferia, onde em meio a incerta achei meu periquita a preço de atacado e onde entrei de mochila, sendo recebido por um sorriso, que apesar do aparelho, foi suave o bastante para aliviar a tensão.

histórias como estas você não só vai encontrar como vai viver as “mil maravilhas” de como empresas de todos os portes – e não me digam que o makro tem espírito holandês – tratam os seus clientes no brasil.

de um jeito ou de outro para eles não passamos de patos a serem garfados. quando não no preço, nas instalações, na validade dos produtos, no respeito, à cidadania inclusive.

e o mais grave é que em estruturas como o atacadão, cujo público é composto em sua maioria por público de classe b,c,d,(isto é uma classificação de merda) tais como seus funcionários, aí é que a desconfiança e o preconceito para com seus pares manifestam-se em doses que não cabem na minha mochila mas levaram-me de rodo.

nestas alturas, chama-se o procon ? ou a secretaria de direitos humanos ?

da próxima vez, talvez, leve um advogado à tira-colo em vez da mochila. daqueles que processam estabelecimentos por tudo e mais alguma coisa.
notivos no makro e no atacadão não vão faltar. seja na entrada ou na saída.


originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com na terça-feira, 13 de dezembro de 2005 e remetido ao makro e ao atacadão. o atacadão negou fogo à resposta. o makro, evasiva e covardemente diz ter registrado a correspondência e em caso de não satisfação que fosse contactado novamente o serviço. então experimenta você entrar lá de mochila novamente(sem bomba, por favor). e continuo a cata de advogados para os dois.

genericamente falando



com o advento dos genéricos, uma medida tida como benéfica para o barateamento do dos remédios, hoje já não estão mais - há genéricos mais caros que o original - surgiu também mais uma da inventividade brasileira propensa a foder o próximo: o similar.

o similar não tem comprovação de eficácia. ou seja, você pode estar levando um placebo - ou levando no placebo se quiser esta síntese - isso se der sorte, mal tido como menor do que levar um coquetel qualquer, o que se torna ainda muito mais perigoso, quando na lista dos similares, constam remédios para hipertensão ou diabetes por exemplo.

pergunta-se: porque raios deixa-se comercializar algo que não se sabe a eficácia ou o tamanho da desgraça em seu potencial?

com a palavra a anvisa, um dos orgaos da administração governamental, ele também, similar ?

(originalmente publicado em 23/08/2006, no já extinto elixirparegorico.blogspot.com)

mais difícil? nem encerrar contrato de casamento

na sua vida de prazeres e utilidades elas correspondem a esposa e amante. não necessariamente nesta ordem. mas igualmente vorazes e insaciáveis. e não venham me tachar de machista ou misógino.

operadoras de tv a cabo, operadoras de celular. oferecem-se como uma maravilha de facilidades, exclusividades e tecnologia. promessas de casamento que não se concretizam ou se concretizam na pior parte. e não pense que deste casamento não sai filhos, porque sai. é só você cometer a besteira de embarcar em serviços tidos como plus ou promoções que arrastam você a um poço sem fim. pior? praga de sogra, travesti e publicitário - há quem jure de pés juntos que pegam, e o politicamente correto que o diga.

insistindo na analogia entre o contrato de serviços e o contrato de casamento, elas também não te escutam(não é esta a maior queixa dos casamentos?, principalmente na hora de encerrar o contrato, um capítulo a parte. sabe quando a esposa refugia-se na casa da mãe ou de alguma amiga um tempão e só sai de lá com o advogado em ponto de bala com intimações a torto e a direito? é igual.

e ai de você se precisar de assistência técnica. vai ficar de cuecas esperando, tal qual no casamento ? com aquela coisa inútil na mão. nem muda de canal, nem vibra, chocha, inútil, exasperante, entediante. e tanto num caso como no outro, sempre tem uma antena a vista para você lembrar-se de que é corno a prestação(no caso da operadora de telefonia celular é mesmo um chifre sem tamanho).

serviços extras costumam vir embutidos em adendos ou nas eternas letrinhas miúdas. se você cair nessa, pode ter certeza, até com a bruna surfistinha sai mais barato. não? então experimenta mudar de plano, de cidade, de pacote. você vai sentir saudades dos bons tempos do orelhão e do bombril na antena, tendo plena certeza de que primeiro: a tecnologia oferecida só funciona em aparelhos de última geração a um preço de arranca orelhas. em relação as operadoras de tv a cabo, prepare-se para a grande frustação de ver que o strip-teaser que lhe foi mostrado foi usado um dublê de corpo. você apaixonou-se por uma que já não é a mesma na hora da performance. e haja filme(velho) repetido, jogo repetido, filme pornô repetido, receita repetida e interatividade? só se for com o boleto ricardão, aquele que só comparece para lhe fuder, sempre trazendo mais um aumento ou taxa disso daquilo.

por mais que dezenas, centenas, milhares, narrem a via crucis das tentativas de encerramento do contrato, com recordes dignos de guiness de tempo ao telefone e ou internet(isso quando as janelas abrem) outros milhares continuam acreditando no casamento. afinal quem vai acreditar que aquele sujeito descabelado, alterado, insone, revoltado, não tem culpa no fim da felicidade?

como se isso não bastasse você vai receber dezenas de cartas lhe ameaçando com o spc. e nisso justiça seja feita, eles cumprem. mesmo que você tenha todos os recibos de pagamentos e taxas de encerramento efetuados e em seu poder. mesmo que você vá a junta de conciliação ou procon, eles continuam ferrando você(veja nosso próximo post).

um pouco antes, de lhe querer ver atrás das grades, normalmente eles tentam a conciliação, oferecendo descontos, muitas vezes de até 30,50 e até mais por cento, para que você, ou melhor eles não abandonem o lar. é cilada. você fica, e logo tudo volta ao normal. ou seja: aporrinhação, aporrinhação, aporrinhação e gastos, muito gastos.

quanto a mim, tv a cabo? optei por ler. minha vida só enriqueceu após isto. voltei aos cine-clubes, aos clubes de vídeo, até ao cinema. quanto ao celular, agora posso ir e vir sem aquela coisa de fbi me seguindo. querem falar comigo, enviem -me sinais de fumaça que eu recebo num cyber mesmo que ele não seja café.

e pra você que me achou politicamente incorreto nas analogias, como se eu não soubesse que milhares de mulheres usam o serviço(tendo uns maridos que não valem um saco de pipoca ou cartão) tratem de fazer a sua versão feminina. porque negócio é o seguinte: tv a cabo(ou por assinatura) e operadoras de celular, até o meu lado feminino quer a viuvez.

(originalmente publicado no já extinto elixirparegórico.blogspot.com em 27/08/2006)