quinta-feira, 15 de setembro de 2016

footing à beira mar de olinda ou bronhas das duas uma

Resultado de imagem para orla de bairro novo olinda

desde os tempos em que minha barriga de garoto de campo grande conheceu farpas tetânicas de uma prancha feita à mão, com madeira de caichote, para surfar em del chifre, que afastei-me da orla de olinda. exceção feita a algumas investidas em casa caiada. no trecho em frente ao antigo quartel da PE. tempos em que o pedaço rivalizava com boa viagem nas parcas possibilidades de um garoto, que vinha à pé dos bailes do américa em casa amarela, para acordar na areia com cheiro de montilla e cara de pirata, conseguir botar as mãos nas adolescentes de classe média – sim nos 70´s havia classe média – tempo em que as gostosinhas eram mesmo gostosinhas: não tinham celulites, estrias e muito menos lábios botocudos e para-choques de silicone. quando nada, conseguíamos o famoso material para o dever de casa: em mãos de cerol, punhetas azuis-marinhas, orgasmo de gaivotas.

dizem que quando começamos a escrever assim é o mais puro sinal de que estamos ficando velhos. pode ser, pode ser. mas, sinal dos tempos, se elas continuam olhando – e não você - é porque o tio sukita ainda é ou tem chances de mordiscar alguma tampa de crush. que me desculpem os não-pernambucanos que vão ficar voando com mais esta.

mas o footing em pauta é outro, que certamente as minhas masturbações juvenis não interessam a ninguém. pelo menos por este jorro de agora.

nos útimos, vinte e cinco, trinta anos, como de resto, o recife, e seus bairros, a orla de olinda, trecho recém saido do carmo a casa caiada conheceu a mais fétida decadência. a ponto de nem os ratos que frequentavam a orla repleta de bares – o mar ainda não havia avançado a tal ponto – terem partido para outra locação.

a prefeita luciana, pecebona quase sorriso mara maravilha, privilegiou a orla com um misto dum projeto de recuperação/implementação de nova arquitetura que busca recuperar a área para os olindenses e não só. apesar das marcas de deterioração irrecuperáveis nas residências e pequenos edifícios que já foram varandas privilegiadas.

acontece que a oposição do mar a prefeita – sera porque ela é do PCB ? não faz só espuma e ameaça, aliás, ameaça não, já coloca por terra trechos e trechos da obra que sequer pode ser inaugurada. o mar já derrubou pedaços diversos dos bancos murada que formam um senta-cadeiras ininterrupto, contíguo a orla em toda a sua extensão, acompanhado de quase oásis de mini-jardins com bancos próprios e aqui e ali aparelhos rústicos de ginástica, somados a alguns boxes e talvez wcs públicos.

coisas da política de qualquer partido no brasil, em que pese a simpatia pelos cachinhos ideológicos da prefeita, ao que tudo indica projeto feito nas coxas de sereia. não prever que mesmo antes de ficar pronto as marés fariam estragos que a lua cheia corroboraria como impraticáveis às boas intenções, é rasgar a certidão de olidense. isso sem falar na maluquice de escadas de madeira que permitem acesso à beira mar, com madeiramento de terceira – certificados pelo ibama ? – que as ondas já trataram de desfolhar, arrancar degraus, enquanto o mar já afogou quase metade delas. porém, sem exterminá-las por completo. transformando-as em armadilhas vietcongs, determinantes para acidentes que podem complicar a vida de crianças e adultos muito mais que as farpas de um prancha de caixote de madeira. sem falar dos trechos fofados de calçada que podem ruir a qualquer momento engolfando papai,mamãe,titio,filhinho com velocípede e empregada – ainda ? – junto com poodle da família.

e já se passa um par de anos de mar derruba, operários levantam, refazendo pela segunda, terceira vez, o que o mar vai derrubar de novo. quero acreditar que minimamente teria sido feito um estudo que por mais primário que fosse anteciparia o que na prática está custando uma verba que não terá folego para fazer frente aos avanços do mar. e olha que nem tivemos ressaca pra valer ainda. foi feito ? e ? não foi feito? uou!

nem vou falar do estado dos buracos da rua dita avenida que lhe acompanha.

estaria a prefeita punhetando a orla, numa quase cópula de obra de fachada, com fins eleiçoeiros? que pelos vistos só vai dar calos na mão, num gozo d água arrombando pedra que não se faz dura? e que findará por deixar a beira-mar ainda mais à deriva ?

pelo visto, não fui só eu que me aproveitei de olinda para isto.
acontece que “pruma” prefeita, o dever de casa é outro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com e também no já extinto dulcora.blogspot.com em 05/11/2006)

Nenhum comentário:

Postar um comentário