quinta-feira, 15 de setembro de 2016

na contra-mão da cultura ou a não sinalização dela

Resultado de imagem para quatro cantos olinda

não confundir política cultural com calendário de eventos(mário chamie)

olinda, tornou-se a primeira capital brasileira da cultura em mais um daqueles eventos-títulos para gerar proxenetas e negociatas, para desespero dos de plantão.

acontece, só pra começar, que olinda, não é só o sítio histórico. é cidade de analfabetos funcionais, letrados apenas nos letreiros de transporte público, e já lá pela hora da morte. destino incerto que faz circular aos subúrbios e áreas perifericas onde tem como vizinhos, o assalto, o estupro, o latrocínio, o assassinato, a chacina, a queima de arquivo e o iptu que não lhes tira da lama inverno após inverno. quem duvidar deve fazer um tourzinho cultural já a partir dos bultrins, via jardim brasil, rio doce e suas etapas, e mais uma dezena de bairros que não estão no mapa cultural da cidade, que lá já fui e hoje ir lá não me atrevo por falta de autorização.

se a cultura passa a ser sinalizada como um dos avanços da administração da “nova olinda”, capitaneada pela prefeita quase clone da patrícia frança, versao rede TV, deve entender minimamente que a cultura emite sinais. sinais que são símbolos culturais por conotação e denotação. sinais diversos, dos mais simples aos mais complexos, para além da cultuação demagógica dos enredos e manifestações populares. sinais, entre eles, os de trânsito.

quem transita por olinda, e estamos falando do centro histórico, para não dizerem que estou fazendo as vezes de vereador da oposição que não larga o ossos dos bairros esquecidos, não sabe se está na mão ou na contra-mão da cultura. tendo como bedéis dela, uma guarda municipal que usa o apito como palmatória.

arte em toda parte, um flash-back

novembro, sábado, vamos a olinda dar um passeio, aproveitando o pretexto do arte em toda parte para ver se descobrimos alguma coisa que não seja cópia da cópia, grosso do trabalho da maioria dos artistas de plástico que se fixaram em olinda, com raras e grisalhas exceções.

subo a rua da boa hora, e dirijo-me a rua do amparo via 13 de maio. no que fazem o mesmo casal de policiais montados em suas motos. casal mesmo. policial homem e uma policial mulher, certamente casados em suas funções. quando chego a prudente de morais, escuto apito que não é de bloco ou troça, muito embora conclua que o guarda municipal está fazendo realmente troça de mim ao, com seu ar, de pouca cultura, evidentemente, e bons modos, apontar-me o dedão e estocar: — está trafegando na contra-mão, no que imediatamente contesto, sem achar necessário o depoimento – será que estaria sendo otimista demais? dos policiais que fizeram o mesmo trajeto – e não estando em perseguição, portanto também infratores ? – de que não existe uma placa sequer sinalizando a tal contra-mão, nem na rua da boa hora, tampouco na 13 de maio, em direção a rua do amparo. aliás, estando-se na 13 de maio, exatamente na bifurcação para a prudente de morais, há uma placa inelegível funcionalmente, aos penduricalhos por um fio, que indica a contra-mão para a prudente de morais para para quem vindo da 13 de maio. suprasumo da cultura ? aviso de contra mão a direita para quem já está na contra-mão ? ah! tá bom. fica combinado assim.

a autoridade, da capital da cultura brasileira, não contesta meu argumento. tampouco convida-me a fazer o percurso, no minímo atitude de quem necessita corroborar afirmação se não sabia do fato(se não quis ir devo concluir que já sabia que não havia sinalização) mas prefere o recurso típico de meganha: — dê meia volta(só faltou o cabra)e volte por onde veio. isso estando eu já após a prudente de morais. portanto, já na rua do amparo. é claro, que ele disse isso com aquele ar de abusado, ainda mais quando contestei que não posso, sequer ser admoestado – informado sim – por estar na contra-mão, já que não existe sinalização nenhuma.

qual o quê, o guarda muncipal, ficou enfezado e fez valer a cultura da autoridade que relutantemente acabei por aceitar porque o sangue já subia-me para regiões muito pouco culturais.

fevereiro, porque devia ter posto uma placa na testa do tal guardinha municipal

ontem dia 3, propositadamente, fiz o trajeto novamente, ampliando a varredura: rua da boa hora, sua sete de setembro, ladeira da boa hora, 13 de maio. continuam sem sinalização de que o sentido é ? quem vai dizer que sim ou que não se não tem placas ? contra-mão.

parte-se do princípio que: num ano em que a cidade deve receber mais turistas ou pelo menos estarão eles sensibilizados para ver, ouvir e perceber sinais do porque olinda foi escolhida para ser capital da cultura, ao menos este sinal deveria ser dado já que, tenho certeza, não só eu fiz o trajeto como pude constatar diversas vezes.

se transitarem pela rua 13 de maio no sentido amparo e encontrarem o tal ou outros tais guardas municipais iguais aquele, vão aprender que olinda é uma cidade tão culta que não precisa de sinalização para que ser perceba o sentido das coisas e das ruas?

seria este o sinal maior da cultura da cidade? a sintese dialética do não sinal para o sinal com o sinal da autoridade vermelho, por sinal ?

com a palavra a pcebeniana chefa-mór da guarda municipal.

p.s. andando também na contra-mão ?

in tempo: estou pensando seriamente em fantasiar-me de guarda muncipal da primeira capital da cultura brasileira(mas não no carnaval, que carnaval é coisa séria) fantasia que é para o ano inteiro.

(originalmente publicado no cemgrauscelsius.blogspot.com em 05 de fevereiro de 2006 e no já extinto dulcora.blogspot.com em 21/10/2006)

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